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Catálogo

Leis, heurísticas e vieses

38 conceitos que o design chama de “leis”, heurísticas e vieses. Cada um traz o que fazer, por que funciona e onde a mesma ideia vira manipulação. E cada um declara o quanto foi de fato medido, porque é aí que a palavra “lei” começa a ficar grande demais.

O que a marca ao lado de cada lei quer dizer

  • medido, e o estudo está na bibliografia
  • dedução minha a partir do mecanismo; ninguém mediu
  • não achei variação com o corpo, e ninguém testou de propósito
  • não afirma nada sobre gente — descreve o trabalho, não quem usa

Lei, na física, vale em todo lugar onde a gente olhou. Estas não. A marca diz quanto se sabe sobre onde cada uma deixa de valer.

Atenção e tempo de resposta

Por que a pessoa demora para achar o botão, trava diante de um menu longo e desiste quando a tela responde devagar. É o tempo e o esforço que a interface cobra antes mesmo de alguém decidir alguma coisa.

V1A primeira área do cérebro, lá na nuca, a receber o que o olho enviou. É onde a imagem vira contraste, borda e orientação, antes de você reconhecer o que está vendo.Ver em Sentidos e atenção →Ver no glossário → filtra o que chega dos olhos, o córtex pré-frontalA região atrás da testa, onde a pessoa decide, planeja e sustenta a atenção. Ela mantém uma coisa em foco por vez e inibe o resto: é onde o gargalo da decisão consciente costuma apertar.Ver em Memória →Ver no glossário → sustenta um único foco por vez e os circuitos frontoparietaisA dupla que sustenta a memória de trabalho: o pré-frontal segura a informação ativa enquanto o lobo parietal cuida de onde as coisas estão.Ver em Memória →Ver no glossário → seguram o que está em uso agora. Os três juntos definem o teto de quanto uma tela pode pedir.

6 conceitos · 6 com exercício · 5 com caso

Percepção visual e organização

Por que dois elementos próximos parecem do mesmo grupo mesmo sem que nada diga isso, e por que um destaque a mais faz todos os outros sumirem. Agrupamento, hierarquia e contraste, resolvidos antes de qualquer decisão consciente.

V1 detecta bordas e contrastes, V2A área logo depois de V1. Junta as bordas que V1 detectou, separa figura de fundo e decide quais elementos formam um grupo, tudo isso antes de você perceber que olhou.Ver em Sentidos e atenção →Ver no glossário → decide o que é figura e o que é fundo, e o colículo superiorUma estação no tronco cerebral que puxa o olhar para o que se move ou contrasta, antes de a pessoa decidir olhar. É esse reflexo que todo destaque visual sequestra.Ver no glossário → puxa o olhar para o que se move ou salta. O agrupamento acontece antes de a pessoa perceber que olhou.

9 conceitos · 9 com exercício · 9 com caso

Emoção e estética

Por que uma tela bonita parece funcionar melhor do que funciona, e por que um único erro mal comunicado apaga dez acertos. Como a pessoa se sente durante o uso é o que decide se ela volta.

A amígdalaDuas estruturas pequenas no lobo temporal que decidem, em milissegundos, se algo é ameaça ou oportunidade. Elas respondem à sua tela antes de qualquer julgamento consciente sobre ela.Ver em Emoção →Ver no glossário → reage em milissegundos, o núcleo accumbensO centro do circuito de recompensa. Quando algo dá certo — um botão que responde, uma tarefa que fecha — é ele que registra "valeu a pena, repita".Ver em Emoção →Ver no glossário → registra o que valeu a pena e o córtex orbitofrontalFica logo atrás dos olhos e atribui valor: se a coisa vale a pena, se é agradável, quanto custa em esforço. Responde antes de a pessoa saber que perguntou.Ver em Emoção →Ver no glossário → atribui valor. dopaminaO sinal químico da recompensa e da antecipação. Não é a molécula do prazer, e sim a do “vale a pena buscar”, por isso a expectativa costuma puxar mais comportamento que a entrega.Ver em Emoção →Ver no glossário → e cortisolO hormônio do estresse, e um hormônio lento: leva de vinte a quarenta minutos para chegar ao pico, então não é ele que explica a irritação com uma tela travada, e sim o que se acumula num dia inteiro de trabalho ruim. Sustentado, ele derruba a memória de trabalho.Ver em Emoção →Ver no glossário → são os dois sinais químicos que atravessam o eixo inteiro.

5 conceitos · 5 com exercício · 5 com caso

Memória e decisão

Por que ninguém lembra do que estava no meio da lista, por que um preço riscado ao lado do preço real muda o que parece caro, e por que mudar de padrão irrita mesmo quando o novo é melhor. É o que a pessoa guarda, e o que ela decide com o que guardou.

O hipocampoA estrutura que transforma experiência recente em memória duradoura. Tudo que a sua interface pede para a pessoa lembrar amanhã passa por ele hoje.Ver em Memória →Ver no glossário → transforma o que aconteceu em memória de longo prazoO que a pessoa ainda sabe amanhã do que viu hoje. Não mora num lugar só: forma-se pelo hipocampo e, com o tempo, passa a viver espalhada pelo córtex.Ver em Memória →Ver no glossário →, a memória de trabalhoO espaço mental onde a pessoa segura o que está usando agora. Cabem cerca de quatro coisas, e elas se apagam em segundos se não forem usadas.Ver em Memória →Ver no glossário → segura o que está em uso, o córtex pré-frontal dorsolateralA parte do pré-frontal ligada ao autocontrole e à decisão sob incerteza. É ela que perde para o impulso quando a recompensa imediata está visível na tela.Ver no glossário → escolhe sob incerteza e o córtex pré-frontal ventromedialFaz o julgamento global, a opinião final sobre uma experiência inteira, e não sobre cada momento dela. É por causa dele que a pessoa resume um fluxo de dez telas numa frase só.Ver em Emoção →Ver no glossário → faz o julgamento final sobre a experiência inteira. Os quatro foram medidos em tarefas de memória e de decisão, e não nas leis deste eixo.

9 conceitos · 8 com exercício · 9 com caso

Comportamento social e expectativa

Por que avaliação de terceiros vale mais que descrição de produto, por que a gente culpa o usuário em vez do fluxo, e por que familiaridade parece qualidade. É o que a pessoa faz porque outras pessoas estão em volta.

Os neurônios-espelhoCélulas que disparam tanto quando você faz algo quanto quando vê outra pessoa fazendo. Foram propostas como a base da imitação e da empatia, leitura que a própria área já corrigiu, e o que sobrou é que ver alguém agir ativa em parte o sistema de quem age.Ver em Mente social →Ver no glossário → leem a ação alheia, a rede de mentalizaçãoO circuito que infere o que se passa na cabeça dos outros: intenções, crenças, desejos. É o que entra em jogo quando a interface tem gente do outro lado, na avaliação, no comentário, no número de quem já comprou.Ver em Mente social →Ver no glossário → infere a intenção por trás dela e o córtex pré-frontal medialA parte do pré-frontal que pensa sobre pessoas: o que os outros querem, o que eles pensam de nós, se dá para confiar neles.Ver em Mente social →Ver no glossário → decide em quem confiar. É um circuito calibrado para grupos pequenos.

5 conceitos · 3 com exercício · 5 com caso

Sobre o trabalho, não sobre quem usa

Por que a complexidade não some, só muda de lado, por que o que não faz falta não entra, por que o uso se concentra em poucas funções, e por que quem chega e quem já domina precisam de trajetos diferentes. Estas quatro não descrevem uma pessoa. Descrevem o trabalho, e é por isso que a pergunta de em quem foram medidas não se aplica a elas.

Quase nada aqui foi medido num cérebro, e as quatro não precisam disso para valer. A única que cita estrutura, a flexibilidade e eficiência de uso, cita o que se sabe sobre automatizar uma sequência, e declara a ponte.

4 conceitos · 4 com exercício · 4 com caso