O motor
O cérebro, e por onde o mundo entra nele
O cérebro recebe o mundo pelos sentidos, compara com o que já viu, dá valor emocional em milissegundos e devolve uma ação. É esse percurso que decide se a sua interface é fácil ou cansativa.
O mesmo cérebro
A tecnologia com que você constrói muda de geração a cada poucos anos. O aparelho de quem vai usar tem trezentos mil anos e nunca recebeu atualização.
É a única peça do projeto que não muda. Um fluxo desenhado para o limite da memória de trabalhoO espaço mental onde a pessoa segura o que está usando agora. Cabem cerca de quatro coisas, e elas se apagam em segundos se não forem usadas.Ver em Memória →Ver no glossário → vai continuar funcionando depois de o framework ser reescrito três vezes, porque o limite não foi decisão de ninguém e não tem versão.
É daí que vem o nome deste site. Same Brain nunca quis dizer que o cérebro explica tudo. Quer dizer que ele é o mesmo em todo mundo, e que a diferença entre duas pessoas está no que entra nele.
Sentidos e atenção
Cada sentido evoluiu para filtrar o mundo com eficiência energética, não para dar conta da enxurrada digital. Conhecer onde cada via satura é o que evita pedir do corpo o que ele não entrega.
5 partes
- Visão Um terço do córtex, e um foco consciente por vez.
- Audição Vários sons chegam ao mesmo tempo; só um vira escuta.
- Tato e propriocepção A mão que opera a sua interface é, no cérebro, maior que as costas inteiras.
- Olfato e paladar O único sentido com atalho direto para a emoção, e o de menor banda de todos.
- Sistema vestibular O sensor que enjoa você no carro nunca está desligado.
Memória
A memória é um processo, e não um depósito. O que a interface pede para o usuário guardar disputa espaço num sistema que segura cerca de quatro itens e larga a maior parte do que entrou em pouco mais de um dia.
5 partes
- Como uma memória se forma Por onde passa uma lembrança, da atenção ao traço que fica.
- Memória sensorial Um quarto de segundo de imagem, uns três de som, antes de qualquer consciência.
- Memória de trabalho Cabem cerca de quatro itens, e o seu formulário disputa com o resto da vida.
- Memória espacial Por que mudar um botão de lugar custa mais do que parece.
- Memórias de médio e longo prazo 70% do que a pessoa aprendeu hoje some em 24 horas.
Emoção
A avaliação emocional de uma tela sai na frente do julgamento consciente: em milissegundos, por circuitos rápidos que a amígdala ajuda a compor. Não existe um cérebro emocional separado de um racional, e sim vias com velocidades diferentes, com menos vantagem para a mais rápida do que a divulgação vende.
4 partes
- Três níveis, uma amígdala Visceral, comportamental e reflexivo. O primeiro chega antes dos outros dois.
- Valência e excitação Duas medidas dão conta de qualquer reação: quanto agrada e quanto ativa.
- Memória emocional O que emociona fica; o resto compete com isso.
- Regulação pré-frontal O freio chega depois do susto, e é ele que decide se a pessoa clica.
Mente social
O circuito social foi calibrado para grupos pequenos. A estimativa mais citada é 150 pessoas, e ela não resiste a uma conferência. Redes digitais não mudaram a escala do circuito, só passaram a exigir que ele processe milhares.
3 partes
- O número de Dunbar Cerca de 150 pessoas, diz a estimativa mais citada. A escala não mudou; as redes só passaram a ignorá-la.
- Empatia e alteridade Duas empatias, uma rápida e uma lenta. A interface só alcança a lenta.
- Redes sociais e falsa proximidade Proximidade falsa: o software social rodando fora da escala para que foi feito.