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viés

Ilusão de transparência

As pessoas tendem a superestimar o quanto suas emoções, intenções e pensamentos são percebidos pelos outros.

Gilovich; Savitsky, 1998

Você não é quem vai usar. Teste antes de concluir que está claro.

A gente superestima o quanto do que sente e pensa está visível para os outros. Nervosismo antes de uma apresentação parece escancarado, e quase ninguém percebe. Uma intenção que está clara na sua cabeça sai da boca pela metade. Em interface isso tem uma consequência prática e cruel: depois de desenhar uma tela, você não consegue mais olhar para ela sem saber o que ela faz. O caminho parece óbvio para você, e a única forma de descobrir se também é para os outros é perguntar a quem chegou agora.

O que o cérebro faz com isso

O mecanismo biológico por trás do efeito, e o quanto dele foi de fato medido.

A pessoa superestima o quanto o próprio estado interno é visível para os outros, e o efeito é medido comparando a estimativa que ela faz com o que os observadores de fato percebem. O córtex pré-frontal medialA parte do pré-frontal que pensa sobre pessoas: o que os outros querem, o que eles pensam de nós, se dá para confiar neles.Ver em Mente social →Ver no glossário → participa de raciocinar sobre estados mentais — próprios e alheios —, o que faz dele a estrutura mais provável de estar envolvida, mas a medida deste efeito é comportamental. Os números redondos que circulam com este viés, como a fração de pessoas que percebe o nervosismo alheio, vêm de estudos pequenos e específicos.

Esta lei parece não mudar com o corpo

Em quem isso foi medido, e o que muda quando o corpo do outro lado é outro.

Ver a tabela completa →

Esta é a única lei do site que já trata, sozinha, da distância entre quem projeta e quem usa. Ela existe para lembrar que a clareza sentida por quem desenhou a tela não é a clareza de quem recebe. É a mesma pergunta que este site faz sobre em quem cada lei foi medida, virada agora para o designer em vez do usuário.

Como o design traduz

O que fazer com isso numa tela, sem transformar um achado em regra.

No design a ilusão é recorrente: quem projeta presume que a intenção é óbvia e que o fluxo será intuitivo porque ele próprio o entende. Daí o teste com quem chegou agora, a escrita clara e a validação em ciclos. Na prática, se alguém do time explicou a tela em voz alta durante a apresentação, a tela não estava se explicando, e a pessoa do outro lado não vai ter quem explique.

Onde isso quebra

Onde a lei não vale, vale menos, ou vale ao contrário.

O viés vale também contra o próprio teste de usabilidade. Um moderador que já sabe qual é a resposta certa entrega a resposta na entonação da pergunta, e depois lê o resultado como confirmação.

Um caso

Um produto de verdade em que isto apareceu, com o que aconteceu e onde conferir.

A tela que só você sabe ler

bater na mesa o ritmo de uma música conhecida, para alguém adivinhar quem bate estima 50% os ouvintes acertam 2,5% você está ouvindo a música. quem vai usar só tem as batidas.

Numa experiência de Elizabeth NewtonFez, em Stanford, o experimento de bater o ritmo de uma música na mesa. Quem batia estimava 50% de acerto; deu 2,5%.Uma referência neste trabalho:1990The rocky road from actions to intentionsVer na bibliografia →, em Stanford, uma pessoa batia na mesa o ritmo de uma música conhecida e outra tentava adivinhar qual era. Antes de começar, quem batia estimava que metade seria acertada. De 120 músicas, os ouvintes acertaram três. Quem bate escuta a melodia inteira na cabeça enquanto bate, e não consegue mais imaginar o que é ouvir só as batidas. Esse experimento tem nome próprio, maldição do conhecimento, e é o primo desta lei. Uma mede o quanto a gente acha que o que sente está visível; a outra, o quanto a gente acha que o que sabe está disponível. Para quem projeta, as duas dão no mesmo lugar. É o que acontece quando você apresenta o próprio fluxo achando que ele é óbvio. Você está ouvindo a música, e quem vai usar só tem as batidas. O rótulo que parece claro, o ícone que parece evidente e o passo que parece natural só parecem assim para quem já sabe a melodia. Por isso o teste com quem nunca viu a tela não é etapa opcional.

Newton, 1990

Experimente

Uma peça para conferir no seu próprio corpo o que o texto acabou de afirmar.

Bata o ritmo de uma música e ouça o que o outro ouve

Pense numa música que todo mundo conhece. Bata o ritmo dela no botão abaixo, com cliques ou com a barra de espaço, por alguns segundos. Depois ouça só as batidas e responda se alguém acertaria a música.

Nenhuma batida ainda.

Enquanto você bate, a melodia toca inteira na sua cabeça, e é impossível ouvir só as batidas. Quem está do outro lado só tem as batidas. É a mesma distância entre você e quem vai usar a tela que você acha óbvia.

Conceitos vizinhos

Estruturas ligadas por ponte minha

Conceitos irmãos

Fontes

Enunciado citado de Gilovich; Savitsky, 1998.

  • GILOVICH, T.; SAVITSKY, K.; MEDVEC, V. H. The illusion of transparency: biased assessments of others' ability to read one's emotional states. Journal of Personality and Social Psychology, v. 75, n. 2, p. 332-346, 1998. DOI
  • NEWTON, E. L. The rocky road from actions to intentions. Tese (Doutorado) — Stanford University, 1990. Fonte

Leitura complementar: Illusion of transparency Wikipedia em inglês

Ver a bibliografia completa do trabalho →