lei
Lei da visibilidade
Os objetos necessários devem ser visíveis sem esforço para que os usuários possam tomar decisões imediatamente.
Se é essencial, está na tela. Menu escondido é para o secundário.
Se a pessoa precisa procurar, o custo já foi pago, mesmo que ela encontre. Jakob NielsenEscreveu as dez heurísticas de usabilidade e criou o método de avaliação heurística que este site trata como triagem, não como teste.4 referências neste trabalho:199410 usability heuristics for user interface design2000End of Web Design2009Short-term memory and web usability1990Heuristic evaluation of user interfacesVer na bibliografia → colocou isso entre as dez heurísticas de usabilidade em 1994, e o ponto é simples. Reconhecer é barato, lembrar é caro. Uma ação escondida atrás de um menu ou abaixo da primeira dobra passa a depender de a pessoa saber de antemão que ela existe. Para quem entra poucas vezes por mês no seu produto, isso equivale a não existir.
O que o cérebro faz com isso
O mecanismo biológico por trás do efeito, e o quanto dele foi de fato medido.
É uma heurística de projeto — a sexta das dez de Nielsen, a que troca lembrar por reconhecer —, e não um fenômeno com mecanismo próprio. O que a sustenta é sólido: reconhecer é mais barato que recuperar da memória, e o que está fora da tela precisa ser segurado na cabeça, num dos poucos lugares que a Lei de MillerAgrupe em blocos de até quatro, e faça os blocos contrastarem entre si.Abrir a lei → conta. A heurística é a consequência prática dessas duas coisas, não um achado independente. Reconhecer depende do córtex temporal medialA parte interna do lobo temporal, hipocampo e vizinhança, por onde fato e episódio passam para virar memória durável. O papel dela é temporário: com o tempo a lembrança vai ficando guardada no córtex e deixa de depender daqui.Ver em Memória →Ver no glossário →, como SquireUma referência neste trabalho:1991The medial temporal lobe memory systemVer na bibliografia → e Zola-Morgan revisaram em 1991, e segurar o que saiu da tela depende da memória de trabalhoO espaço mental onde a pessoa segura o que está usando agora. Cabem cerca de quatro coisas, e elas se apagam em segundos se não forem usadas.Ver em Memória →Ver no glossário → (Alan BaddeleyFormulou o modelo de memória de trabalho que este site usa como base, a alça fonológica, o esboço visuoespacial e o executivo central.Uma referência neste trabalho:2003Working memory: looking back and looking forwardVer na Wikipédia ↗Ver na bibliografia →, 2003). Nenhuma das duas medidas foi feita com uma interface pela frente, e a ligação com a heurística é minha.
O corpo que esta lei presume
Em quem isso foi medido, e o que muda quando o corpo do outro lado é outro.
A lei diz que o que é essencial fica à mostra, e menu escondido serve ao secundário. Isso pressupõe uma tela. Para quem navega por leitor de tela o equivalente é a ordem do documento e os marcos de região, e numa tela pequena a mesma regra vira outra conta, porque quase nada cabe à mostra ao mesmo tempo.
Como o design traduz
O que fazer com isso numa tela, sem transformar um achado em regra.
Como medir isso no seu produto
Toda função essencial fica à mostra assim que a pessoa entra na tela; o secundário vai para menu expansível ou recebe menos contraste. O caso clássico é o aplicativo de banco em que “transferir” está na primeira tela e “segunda via do boleto” está a dois toques de distância: a hierarquia diz o que a maioria veio fazer, e o que ficou guardado continua existindo para quem procurar. O erro é o inverso, a função de todo dia atrás de um ícone que a pessoa precisa saber de antemão que existe.
Onde isso quebra
Onde a lei não vale, vale menos, ou vale ao contrário.
Tornar tudo visível é a outra forma de esconder: quando nada fica guardado em menu, a pessoa varre a tela inteira para encontrar uma função, e volta a pagar o custo de procurar.
Um caso
Um produto de verdade em que isto apareceu, com o que aconteceu e onde conferir.
O menu escondido que ninguém abriu
Em 2016 o grupo de Jakob Nielsen mediu, com 179 pessoas em seis sites reais, o que acontece quando a navegação fica atrás do ícone de três linhas. No desktop, a navegação escondida foi usada em 27% das tarefas, contra 48% quando estava visível. No celular, 57% contra 86%. A descoberta de conteúdo caiu mais de 20% nas duas plataformas, e as tarefas ficaram pelo menos 39% mais lentas no desktop. As mesmas seções existiam nos dois desenhos, e o que mudou foi estarem à vista. No mesmo ano o Spotify trocou o menu escondido por cinco abas fixas no rodapé do aplicativo, e contou ao TechCrunch que os cliques em itens do menu subiram 30% e os cliques em geral subiram 9%. A lei tem um custo do outro lado: em 2007 o Office trocou os menus pelo Ribbon, pôs tudo à vista e obrigou quem já sabia onde as coisas estavam a reaprender o programa.
Experimente
Uma peça para conferir no seu próprio corpo o que o texto acabou de afirmar.
Conte os cliques até chegar em “Exportar”
Duas barras com exatamente as mesmas cinco funções. Encontre “Exportar” em cada uma e compare o placar.
A diferença parece pequena porque a barra tem cinco itens. Ela deixa de ser pequena quando a função escondida é a que a pessoa usa todo dia, ou quando é a que ela precisa achar sob pressão — cancelar, desfazer, sair. O que vai para trás de “mais ações” é uma decisão sobre o que você acha que ninguém vai procurar com urgência.
Conceitos vizinhos
Estruturas ligadas por ponte minha
Conceitos irmãos
Fontes
Enunciado formulado a partir da heurística 6 de Nielsen, 1994.
- NIELSEN, J. 10 usability heuristics for user interface design. Nielsen Norman Group, 1994. Fonte
Leitura complementar: Memory Recognition and Recall in User Interfaces NN/g em inglês