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lei

Lei de Fitts

O tempo para atingir um alvo é uma função logarítmica da razão entre a distância até o alvo e o tamanho do alvo.

Fitts, 1954

Alvo importante é alvo grande e perto de onde a mão já está.

Quanto menor o alvo e mais longe ele estiver, mais tempo custa acertá-lo. Paul Paul Morris FittsMediu, em 1954, o tempo de apontar para um alvo em função da distância e do tamanho dele. Jovens, destros, num laboratório.Uma referência neste trabalho:1954The information capacity of the human motor system in controlling the amplitude of movementVer na Wikipédia ↗Ver na bibliografia → mediu isso em 1954, quando não existia mouse nem tela. Ele era psicólogo da aviação e queria uma medida geral de quanta informação uma mão consegue produzir por segundo; o que cronometrou no laboratório foi um estilete batendo entre duas placas de metal, com dezesseis universitários destros. A relação que ele encontrou continua valendo para o dedo no celular, e é o motivo de o botão mais importante da tela precisar ser o maior e o mais perto de onde a mão já está.

O que o cérebro faz com isso

O mecanismo biológico por trás do efeito, e o quanto dele foi de fato medido.

Alcançar um alvo na tela recria o desafio de mirar num objeto no mundo real, e o que custa tempo aqui não é ler a tela, é produzir e corrigir o movimento. Ele sai rápido na direção do alvo e depois entra numa fase de correções finas, guiadas pelo que os olhos veem, até parar dentro dele. Quanto menor o alvo, mais ciclos de correção, e é essa fase que a fórmula de Fitts captura. O cerebeloA estrutura na base da nuca que automatiza movimento e sequência. Quanto mais alguém usa o seu produto, mais a operação migra para cá, e mais caro fica mudar o que já virou automatismo.Ver em Memória →Ver no glossário → é uma das estruturas mais associadas a esse ajuste da trajetória durante o próprio movimento, medido em tarefas de alcance motor; a ligação com a lei em si é ponte, não achado.

O corpo que esta lei presume

Em quem isso foi medido, e o que muda quando o corpo do outro lado é outro.

Ver a tabela completa →

uma viaum lugaruma época

Fitts mediu jovens destros num laboratório de 1954. BravoRepetiu a medição da Lei de Fitts em adultos com paralisia cerebral, em 1993. É dessa medição que vem o número que a página cita.Uma referência neste trabalho:1993A study of the application of Fitts’ law to selected cerebral palsied adultsVer na bibliografia → e colegas repetiram a medição em 1993, com seis adultos com paralisia cerebral e seis sem. No grupo sem, a lei valeu. No grupo com, não valeu para a maioria. E há ainda quem navegue por teclado, para quem a lei não tem o que medir, porque não existe distância até o alvo, existe número de tabulações. Some a isso a mão que segura o corrimão do ônibus e a tela que responde com atraso, e o alvo grande e perto deixa de resolver sozinho.

Como o design traduz

O que fazer com isso numa tela, sem transformar um achado em regra.

Ampliar a zona clicável e aproximar o elemento crítico de onde a mão já está reduz os dois termos da conta ao mesmo tempo, menos distância a percorrer e menos correção no fim do movimento. Pense no botão de confirmar um pagamento no celular. Se ele fica no alto da tela, longe do polegar, e tem a altura de uma linha de texto, a pessoa erra, hesita e às vezes acerta o botão errado ao lado.

Onde isso quebra

Onde a lei não vale, vale menos, ou vale ao contrário.

Alvo grande demais também é falha quando a ação é destrutiva. “Excluir conta” não deveria ser o botão mais fácil de acertar da tela.

Um caso

Um produto de verdade em que isto apareceu, com o que aconteceu e onde conferir.

O botão que errava por um pixel

Botão cinza em relevo com a bandeira colorida do Windows e a palavra Start.
O botão Iniciar do Windows 95, num build de teste de 1995; o pixel morto na borda não aparece numa captura
BetaWiki · via Wikimedia Commons · Domínio público

No Windows 95, o botão Iniciar ficava no canto inferior esquerdo da tela, e canto de tela é o melhor alvo que existe, porque o cursor não passa da borda. A mão pode jogar o mouse para lá sem mirar. Só que o botão tinha um pixel morto nas bordas esquerda e inferior, e clicar exatamente nesse pixel não abria nada. Jensen Harris, da equipe de interface do Office, contou em 2006 que isso produziu um número surpreendente de cliques perdidos, e que a equipe do Windows corrigiu o pixel antes do Windows 2000. Um pixel transformou o alvo mais fácil da tela num alvo pequeno e distante, que é o caso lento da fórmula. Um botão encostado na borda precisa responder até a borda, senão a vantagem da posição vira uma armadilha.

Harris, 2006

Experimente

Uma peça para conferir no seu próprio corpo o que o texto acabou de afirmar.

Meça o seu próprio tempo de clique

Clique no botão A, depois no B, depois no A de novo, alternando entre os dois. Use os controles para mudar o tamanho do alvo e a distância entre eles, e acompanhe o que acontece com o seu tempo médio.

Índice de dificuldade
Seu tempo médio
Cliques
0

O índice de dificuldade é log₂(2D/L): dobrar a distância custa o mesmo que reduzir o alvo à metade. Aumente a distância e diminua a largura, e o seu tempo sobe junto com o índice, sem que você precise se esforçar mais.

Conceitos vizinhos

Estruturas ligadas por ponte minha

Conceitos irmãos

Fontes

Enunciado citado de Fitts, 1954.

  • FITTS, P. M. The information capacity of the human motor system in controlling the amplitude of movement. Journal of Experimental Psychology, v. 47, n. 6, p. 381-391, 1954. DOI

Leitura complementar: Fitts’s Law Laws of UX em inglês

Ver a bibliografia completa do trabalho →