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lei

Lei de Miller

O número mágico sete, mais ou menos dois: alguns limites na nossa capacidade de processar informações.

Miller, 1956

Agrupe em blocos de até quatro, e faça os blocos contrastarem entre si.

Este é provavelmente o número mais citado e mais mal usado do design de interfaces. George George Armitage MillerEscreveu, em 1956, o artigo do número mágico sete, que o próprio campo depois corrigiu para cerca de quatro.Uma referência neste trabalho:1956The magical number seven, plus or minus twoVer na Wikipédia ↗Ver na bibliografia → publicou em 1956 um artigo sobre o "número mágico sete, mais ou menos dois", e ele virou licença para colocar sete de tudo em toda tela. Duas coisas se perderam no caminho. A primeira é que Miller falava de itens que a pessoa segura na cabeça, não de itens visíveis numa lista, que ela pode reler quando quiser. A segunda é que a pesquisa posterior derrubou o sete para cerca de quatro. O que sobrevive é o mecanismo, e ele é o mais útil da lei: agrupar não reduz a informação, reduz o número de pacotes que a memória precisa carregar de uma vez.

O que o cérebro faz com isso

O mecanismo biológico por trás do efeito, e o quanto dele foi de fato medido.

Sem estratégia de agrupamento, a memória de trabalhoO espaço mental onde a pessoa segura o que está usando agora. Cabem cerca de quatro coisas, e elas se apagam em segundos se não forem usadas.Ver em Memória →Ver no glossário → retém cerca de quatro itens, não sete. O “sete mais ou menos dois” de Miller descrevia o que a pessoa consegue repetir de volta, e a revisão que se sustenta hoje encontrou um limite menor para o que ela consegue manter ativo enquanto opera sobre aquilo. Manter informação disponível assim depende do córtex pré-frontalA região atrás da testa, onde a pessoa decide, planeja e sustenta a atenção. Ela mantém uma coisa em foco por vez e inibe o resto: é onde o gargalo da decisão consciente costuma apertar.Ver em Memória →Ver no glossário → e dos circuitos frontoparietaisA dupla que sustenta a memória de trabalho: o pré-frontal segura a informação ativa enquanto o lobo parietal cuida de onde as coisas estão.Ver em Memória →Ver no glossário →. O que se mediu foram tarefas de memória de trabalho, a função que a lei invoca, e não a lei em si. O que a prática aumenta é o tamanho de cada pacote, não a quantidade de pacotes.

O corpo que esta lei presume

Em quem isso foi medido, e o que muda quando o corpo do outro lado é outro.

Ver a tabela completa →

uma época

Quantos itens a memória de trabalho segura ao mesmo tempo muda com a idade, e a medida mais ampla que existe da parte visual disso é de BrockmoleTestou memória de trabalho visual em 55.753 pessoas de 8 a 75 anos, a medida mais ampla que existe de como a capacidade muda com a idade.Uma referência neste trabalho:2013Age-related change in visual working memory: a study of 55,753 participants aged 8-75Ver na bibliografia → e Logie, que testaram 55.753 pessoas entre 8 e 75 anos. A capacidade sobe até por volta dos 20 e cai em linha reta a partir dali: aos cinquenta e poucos, o adulto médio segura menos do que uma criança de oito. O limite é uma faixa, e ela depende da idade de quem está do outro lado.

Como o design traduz

O que fazer com isso numa tela, sem transformar um achado em regra.

Segmentar em blocos, os chunks, e usar agrupamento visual claro mantém a carga dentro do limite. O número de telefone é o exemplo mais antigo: ninguém lembra de onze dígitos seguidos, mas lembra do DDD, depois de cinco dígitos e depois de quatro, porque o cérebro carrega três pacotes em vez de onze. Numa página com muita informação, o que permite exibir tudo sem sobrecarregar é o contraste entre as seções, porque é ele que deixa cada bloco ser tratado como uma unidade só.

Onde isso quebra

Onde a lei não vale, vale menos, ou vale ao contrário.

“Sete mais ou menos dois” virou licença para colocar sete de tudo. O número nunca foi meta. Era teto, e o teto real é quatro.

Um caso

Um produto de verdade em que isto apareceu, com o que aconteceu e onde conferir.

O número do cartão em blocos de quatro

Campo de número do cartão num checkout no celular, com os dígitos aparecendo já separados em blocos de quatro conforme a pessoa digita: 4557 2310 5.
O campo do cartão separando os dígitos em blocos de quatro enquanto a pessoa digita
Baymard Institute · Credit Card Number Field: Auto-Format Spaces · Uso editorial

Nos testes do Baymard Institute, quem digita o número do cartão tende a copiá-lo no formato em que ele está impresso no plástico, em grupos de quatro, e confere bloco a bloco antes de enviar. Quando o campo insere os espaços sozinho, a conferência funciona, porque a tela e o cartão mostram os mesmos blocos. Quando não insere, a pessoa digita os espaços por conta própria e alguns sites devolvem erro por isso. Dezesseis dígitos seguidos não cabem na memória de trabalho de ninguém. Quatro blocos de quatro cabem. Em 2025, 15% dos sites de comércio eletrônico ainda não formatavam os espaços, contra 50% em 2019. O que a lei descreve é exatamente isto, agrupar o que precisa ficar na cabeça por um instante. Ela não descreve o tamanho de um menu, embora seja citada assim o tempo todo. Menu é reconhecimento, não lembrança, como Jakob NielsenEscreveu as dez heurísticas de usabilidade e criou o método de avaliação heurística que este site trata como triagem, não como teste.4 referências neste trabalho:199410 usability heuristics for user interface design2000End of Web Design2009Short-term memory and web usability1990Heuristic evaluation of user interfacesVer na bibliografia → escreveu em 2009, e não precisa caber em sete.

Baymard Institute, 2025; Nielsen, 2009

Experimente

Uma peça para conferir no seu próprio corpo o que o texto acabou de afirmar.

Por que telefone e cartão vêm em blocos

Olhe a sequência abaixo e tente decorá-la. Depois clique em Agrupar e tente de novo. São os mesmos doze dígitos nas duas vezes — nada foi retirado.

12 dígitos, sempre os mesmos

481590372641

Unidades a segurar
12
Limite da memória de trabalho
~4

Nada foi removido: os doze dígitos continuam ali. O agrupamento não reduz a informação, reduz o número de unidades que a memória de trabalho precisa segurar ao mesmo tempo, de doze para três, dentro do que ela comporta.

Quem realmente disse isso

O nome que a lei carrega, quem de fato escreveu aquilo, e por que a confusão colou.

O sete de Miller era sete mesmo, só que media outra coisa. Hoje o limite medido é quatro, e Miller nunca falou de interface.

O artigo de 1956 é uma palestra bem-humorada sobre uma coincidência: sete aparecia em experimentos de coisas diferentes, e Miller brinca que o número o persegue. Ele mesmo escreve que os casos não são o mesmo fenômeno, e nunca disse que menus deveriam ter sete itens. Quando o campo mediu de novo, com tarefas que impedem os truques de agrupamento, o número caiu para cerca de quatro (CowanRefez a conta de Miller com método melhor e chegou a cerca de quatro itens, não sete. É o número que este site usa.Uma referência neste trabalho:2001The magical number 4 in short-term memoryVer na bibliografia →, 2001). Uma constante da física não cai pela metade quando alguém mede outra vez. É por isso que este site usa Miller como prova de que chamar esses achados de lei é exagero.

COWAN, N. The magical number 4 in short-term memory. Behavioral and Brain Sciences, v. 24, n. 1, p. 87-114, 2001. DOI

Conceitos vizinhos

Estruturas ligadas por ponte minha

Conceitos irmãos

Fontes

Enunciado citado de Miller, 1956.

  • MILLER, G. A. The magical number seven, plus or minus two. Psychological Review, v. 63, n. 2, p. 81-97, 1956. DOI
  • NIELSEN, J. Short-term memory and web usability. Nielsen Norman Group, 2009. Fonte

Leitura complementar: Miller’s Law Laws of UX em inglês

Ver a bibliografia completa do trabalho →