lei
Lei da conectividade uniforme
As pessoas tendem a perceber elementos conectados por linhas ou formas contínuas como parte de um mesmo grupo.
Uma linha explícita entre dois elementos costuma bastar, mesmo contra a distância.
Uma linha ligando dois elementos é um dos sinais de agrupamento mais difíceis de ignorar. Stephen PalmerFormulou dois princípios da Gestalt que Wertheimer não tinha escrito: região comum e conectividade uniforme.2 referências neste trabalho:1992Common region: a new principle of perceptual grouping1994Rethinking perceptual organization: the role of uniform connectednessVer na bibliografia → e Irvin Rock descreveram isso em 1994, setenta anos depois das leis clássicas da Gestalt, e o achado é que a conexão explícita pode vencer a proximidade: dois pontos distantes unidos por um traço leem como par, mesmo ao lado de pontos mais próximos entre si. É o que faz funcionar uma linha do tempo, um fluxograma ou o traço que liga um rótulo ao ponto que ele descreve.
O que o cérebro faz com isso
O mecanismo biológico por trás do efeito, e o quanto dele foi de fato medido.
Elementos ligados por linha, curva ou caminho visual contínuo são percebidos como do mesmo grupo. Palmer e Rock (1994) propuseram que essa conexão é anterior às outras pistas na ordem de processamento, o que é diferente de ser mais forte que todas, e a confusão entre as duas coisas é comum. Nenhum estudo estabeleceu ranking fixo entre as pistas gestálticas: a dominância depende do arranjo, da escala e do contraste. A ligação por contorno contínuo se resolve em V1A primeira área do cérebro, lá na nuca, a receber o que o olho enviou. É onde a imagem vira contraste, borda e orientação, antes de você reconhecer o que está vendo.Ver em Sentidos e atenção →Ver no glossário → e V2A área logo depois de V1. Junta as bordas que V1 detectou, separa figura de fundo e decide quais elementos formam um grupo, tudo isso antes de você perceber que olhou.Ver em Sentidos e atenção →Ver no glossário →, onde neurônios respondem a elementos alinhados como se fossem um objeto só, e RoelfsemaUma referência neste trabalho:2006Cortical algorithms for perceptual groupingVer na bibliografia →, em 2006, separa esse agrupamento em duas velocidades, uma imediata e outra que depende de atenção e leva mais tempo. Esses achados vêm de contornos montados em laboratório, e levá-los para a linha que liga rótulo e ponto num gráfico é ponte minha.
O corpo que esta lei presume
Em quem isso foi medido, e o que muda quando o corpo do outro lado é outro.
A linha que liga dois elementos existe no desenho. Para quem navega por leitor de tela ela não existe, e, se a relação não estiver declarada na marcação, ela não chega a quem usa.
Como o design traduz
O que fazer com isso numa tela, sem transformar um achado em regra.
Como medir isso no seu produto
Num formulário, conectar campos relacionados por linhas sutis, ou organizá-los num fluxo contínuo como uma linha do tempo, facilita a leitura da sequência e poupa a pessoa de manter a relação na cabeça, porque sinaliza que aqueles elementos formam uma unidade. O traço que liga um rótulo ao ponto que ele descreve num gráfico é o caso mais claro, porque sem ele a pessoa precisa adivinhar a qual ponto o rótulo pertence.
Onde isso quebra
Onde a lei não vale, vale menos, ou vale ao contrário.
Por ser um sinal difícil de ignorar, é o que mais engana quando acontece por acidente. Um alinhamento não intencional conecta coisas sem relação, e a pessoa acredita na linha antes de ler o rótulo.
Um caso
Um produto de verdade em que isto apareceu, com o que aconteceu e onde conferir.
Um ponto ou um traço, e quem baldeia
Diagrama de Sameboat · via Wikimedia Commons · CC BY-SA 4.0
O mapa do metrô de Londres desenha uma baldeação de dois jeitos. Ou as linhas se cruzam num único círculo, ou aparecem dois círculos ligados por um traço. Zhan Guo cruzou o mapa com 18.894 viagens registradas e mostrou que esse desenho muda a rota das pessoas. Estações desenhadas com o traço, como Baker Street, parecem mais difíceis de baldear do que são, e estações desenhadas como um ponto, como Oxford Circus, parecem mais fáceis, mesmo tendo corredores piores. O modelo estima que o traço afasta centenas de baldeações por dia em Baker Street, e que o ponto atrai ainda mais em Victoria e em Oxford Circus. Dois círculos ligados por uma linha dizem “duas coisas conectadas”, e um círculo diz “uma coisa só”. As pessoas agem sobre essa leitura, não sobre o corredor real. O desenho da baldeação mudou a rota de quem anda ali todo dia, e a mesma coisa acontece com uma linha entre dois elementos numa tela.
Experimente
Uma peça para conferir no seu próprio corpo o que o texto acabou de afirmar.
Uma linha vence a distância
Os seis pontos estão em dois trios separados por um vão, e é o vão que faz você ler dois grupos. Agora ligue os dois pontos das pontas e veja o que acontece com essa leitura.
Você lê dois grupos de três, definidos pelo vão no meio.
A conexão explícita venceu a proximidade neste arranjo. Isso não a torna a pista mais forte da Gestalt, porque não existe ranking fixo entre elas: o que Palmer e Rock propuseram foi precedência na ordem de processamento, e quem vence numa tela pode perder na seguinte.
Conceitos vizinhos
Estruturas ligadas por ponte minha
Conceitos irmãos
Fontes
Enunciado citado de Palmer; Rock, 1994.
- PALMER, S. E.; ROCK, I. Rethinking perceptual organization: the role of uniform connectedness. Psychonomic Bulletin & Review, v. 1, n. 1, p. 29-55, 1994. DOI
Leitura complementar: Law of Uniform Connectedness Laws of UX em inglês