princípio
Princípio de Pareto
Em muitos eventos, cerca de 80% dos resultados provêm de 20% das causas.
Descubra os 20% que resolvem 80% e dê a eles o lugar de destaque.
Vilfredo Vilfredo ParetoObservou, estudando a posse de terras na Itália, a distribuição desigual que virou o princípio 80/20.Uma referência neste trabalho:1897Cours d’économie politiqueVer na Wikipédia ↗Ver na bibliografia → descreveu em 1896 uma distribuição de renda muito torta na Itália, com uma minoria concentrando a maior parte, e a forma torta reapareceu em tantos contextos que virou regra de bolso. Em produto, ela costuma significar que uma minoria das funções responde pela maior parte do uso real. O valor prático não está no número exato, que varia, mas na pergunta que ele obriga a fazer sobre quais caminhos quase todo mundo percorre e se eles recebem atenção proporcional a isso. Na maioria dos produtos, não recebem, porque o esforço tende a se espalhar por igual.
Por que aqui não há neurociência
O mecanismo biológico por trás do efeito, e o quanto dele foi de fato medido.
Pareto observou distribuição de renda na Itália, e a regularidade que leva o nome dele é estatística: em muitos sistemas a distribuição é enviesada, e uma minoria das causas responde pela maioria dos efeitos. Não é uma lei da natureza nem tem nada de neural, a proporção exata varia, e em muitos casos não é 80/20 coisa nenhuma. O que a torna útil em produto é verificável e está ao seu alcance. A telemetria do seu próprio sistema diz quais funções carregam o uso, e o número do seu produto vale mais que a proporção famosa.
Por que esta lei não presume corpo nenhum
Em quem isso foi medido, e o que muda quando o corpo do outro lado é outro.
Uns poucos recursos concentrarem quase todo o uso é propriedade do conjunto, e não de quem usa. A armadilha está em confundir os dois. Os 20% mais usados não são os 20% mais críticos, e o que raramente se usa pode ser justamente o que salva alguém num dia ruim.
Como o design traduz
O que fazer com isso numa tela, sem transformar um achado em regra.
Como medir isso no seu produto
Identificar os 20% que resolvem 80% das interações e dar a eles destaque, atalho e lugar no menu principal deixa a interface mais enxuta e focada: o esforço inicial cai e a sensação de controle sobe. Quem diz quais são esses 20% é a telemetria do seu próprio produto, não o palpite, e frameworks de priorização como o modelo Kano ajudam a separar, dentro deles, o que é básico do que encanta.
Onde isso quebra
Onde a lei não vale, vale menos, ou vale ao contrário.
Os 20% que resolvem 80% dos casos não são os 20% mais críticos. Frequência não é importância: a função usada uma vez por ano pode ser exatamente aquela pela qual a pessoa assinou.
Um caso
Um produto de verdade em que isto apareceu, com o que aconteceu e onde conferir.
Cinco comandos em um terço do Word
Em 2006 Jensen Harris publicou os dados de uso do Word 2003, coletados entre quem aceitou participar da telemetria da Microsoft. Os cinco comandos mais usados, Colar, Salvar, Copiar, Desfazer e Negrito, respondiam por cerca de 32% de todo o uso, e Colar sozinho por mais de 11%, o dobro do segundo. O dado mudou uma decisão. A equipe cogitava tirar os botões de copiar e colar da nova interface, porque todo mundo sabia que as pessoas usavam o atalho de teclado, e os dados mostraram que o botão de Colar era o mais clicado de todos. Ele virou o primeiro botão grande da primeira aba. O mesmo post registra o que o princípio não autoriza. Depois dos dez primeiros comandos a curva achata, e a diferença de uso entre o centésimo e o quadringentésimo é parecida com a diferença entre o primeiro e o décimo primeiro. As pessoas usam muito da amplitude do produto. A telemetria diz o que merece destaque, e não autoriza cortar o resto.
Experimente
Uma peça para conferir no seu próprio corpo o que o texto acabou de afirmar.
Quais funções você deixaria na primeira tela
Este é o menu de um banco, com as vinte funções ordenadas da mais usada para a menos usada. Arraste para escolher quantas caberiam na primeira tela e veja quanto do uso elas cobrem e o que fica de fora.
80% do uso cabe em 4 funções, a última sendo Pagar boleto. A primeira que fica atrás do “mais” é Cartão: fatura, e a cauda inteira soma 20%.
Esta curva é um modelo, e a forma dela aparece em dados reais: no Word 2003, os cinco comandos mais usados somavam 32% de todo o uso e Colar sozinho passava de 11%, como conta o caso abaixo.
Quem realmente disse isso
O nome que a lei carrega, quem de fato escreveu aquilo, e por que a confusão colou.
O 80/20 não é de Pareto. É de Joseph JuranFormulou a regra dos “poucos vitais”, batizou-a de princípio de Pareto e depois publicou uma retratação dizendo que o nome estava errado.Uma referência neste trabalho:1975The non-Pareto principle: mea culpaVer na bibliografia →, anos 1940.
Vilfredo Pareto descreveu, no Cours d’économie politique, uma distribuição de renda muito desigual na Itália. Ele não formulou regra nenhuma, não disse 80/20 e não sugeriu que aquilo valesse fora da economia. Quem generalizou foi Joseph Juran, engenheiro de qualidade, que encontrou a mesma forma torta na contagem de defeitos de fábrica e chamou de “os poucos vitais e os muitos triviais”. Na hora de dar nome ao gráfico, ele batizou de princípio de Pareto, e depois passou o resto da vida tentando corrigir a atribuição. Em 1975 publicou uma retratação com o título “O princípio não-Pareto: mea culpa”, explicando que a ideia era dele e o nome, emprestado.
JURAN, J. M. The non-Pareto principle: mea culpa. Quality Progress, v. 8, n. 5, p. 8-9, 1975. Fonte
Conceitos vizinhos
Conceitos irmãos
Fontes
Enunciado citado de Pareto, 1896.
- PARETO, V. Cours d’économie politique. Lausanne: F. Rouge, 1896-1897. 2 v. Fonte
Leitura complementar: Pareto Principle Laws of UX em inglês